Tuesday, October 20, 2009

Piquenique

Paris pra mim, entre outras coisas, é a terra do piquenique. No verão tudo é desculpa pra fazer um bom piquenique nas margens do Sena ou num dos vários parques da cidade. Desta vez a desculpa foi conhecer as blogueiras brasileiras em Paris. Devo confessar que achei bastante estranho a primeira vez que a Bel me falou deste piquenique. Afinal, não conhecia nem as blogueiras nem os blogs, mas por que não? Conhecer gente nova é sempre um prazer e além disso é preciso substituir os brasileiros que vão voltando pro Brasil. E assim fui eu pro Parc de Vincennes sem saber muito o que esperar do encontro e devo dizer que ele me surpreendeu. Como diriam os franceses: super sympa! Gostei muito de ter ido e espero que tenhamos outros eventos do gênero. Como lembrança deste pique-nique ficou um amigo oculto em que cada bogueira escreve um texto pro blog de uma outra.

Publico então aqui o texto da Mariana com quem infelizmente não tive a oportunidade de conversar muito. Ficará pro segundo evento.


"Confesso que enrolei tudo que pude para começar a escrever este texto. Não que eu não quisesse pensar no assunto, pelo contrario! Pensei tanto nisso que dei um no nas minhas idéias e travei a escrita. Mas vamos la que a hora é essa!

Minha historia com Paris começou em 2000, quando ja cansada das aulinhas de inglês, resolvi aprender o francês. Seis niveis e dois anosdepois coloquei na cabeça que queria vir pra ca, conhecer Paris e treinar o idioma. Assim, em janeiro de 2002 (em pleno inverno) fiz a minha estréia em terras francesas! Fiquei durante um mês, hospedada na casa de uma Madame peruésima e sua cadela yorkshire, Nanie.
Olha gente, vou ser sincera. Detestei tudo! Detestei o clima, destestei a frieza do povo, detestei ter caido na pista de patinação no gelo e batido a cabeça. Voltei ao Brasil decidida a nunca mais voltar. Nem para a aula de francês eu voltei. Durante um bom tempo continuei convicta que eu e Paris não combinavamos. Foi então que surgiu a oportunidade de participar de uma pesquisa que envolvia leituras e mais leituras em francês. Como eu me interessava pelo tema, la fui eu de volta para a sala de aula.
Terminado o projeto e a graduação, comecei a repensar meu desgosto. Comecei a reconsiderar a idéia de nunca mais voltar. Cheguei à conclusão de que valia à pena pelo menos tentar fazer o processo de seleção para o mestrado aqui, depois de tanto tempo estudando o francês. Pois eis que assim que acabou esse longo processo, eu descobri que estava gravida! Todos os planos tiveram de ser repensados e chegamos a decidir que não viriamos. Mas eis que, em seguida, recebemos a resposta positiva de três universidades aqui, eu tinha sido aceita!
E agora José? Depois de muito sofrer decidindo, eis que viemos, de mala, cuia e barriga de cinco meses de gravidez. Muitos disseram que era coragem, para não dizer que era loucura. Chegamos em setembro de 2008. Foi aqui que fiz todo o final do meu pré-natal, onde vivi todos os altos e baixos da gravidez, assim, sem familia por perto, sem amigos, sem o conforto de estar em casa. Em janeiro, novamente pleno inverno, nasceu a Sofia, nosso bebê, num grande hospital publico da cidade luz. Em função dessa experiência hors normes, eu vejo Paris com olhos de mãe: uma cidade cheia de carrinhos de bebê sofisticados, com diversos tipos de otimas creches publicas onde não ha vagas, onde existem incontaveis opções de lazer para crianças, e onde a saude publica - apesar de burocratica - é acessivel e funciona. Quando visitamos o Brasil, neste ano, me dei conta de como essa cidade tem uma infra-estrutura invejavel e de que aqui existem varios serviços em função da criança (educação, saude, lazer) que não existem no Brasil. Até o ônibus tem um lugar especifico para os carrinhos de bebê! Assim, entre momentos de satisfação e de saudade transbordante, o que sempre permanece é o fato de que Paris foi a cidade que escolhi para ter a minha filha. Isso não é pouca coisa. Apesar de todos os problemas que os estrangeiros enfrentam aqui so por serem estrangeiros, acredito que a infância dela pode ser mais rica aqui, entre as flores do Jardin de Plantes e as atividades do Parc de la Villette e outros tantos lugares convidativos que ainda temos a descobrir.
Apesar da imensa saudade de todos la no Brasil, é aqui que eu imagino nosso futuro. é aqui que eu gostaria que a minha pequena crescesse."


Mariana SCHMITZ
www.marianabresil.blogspot.com



Em seguida a corrente seguirá com meu texto no blog da Maíra e do Rafael, assim que eu me recuperar da viagem da qual cheguei ontem e conseguir escrever meu texto.

E ai vai a lista com todos os blogs que participaram do amigo oculto

SO ANA SO


4 Comments:

Anonymous Bel Butcher said...

Eu adoro os carrinhos de bebês daqui! Cada carrão!!! O problema são os motoristas, às vezes loucos e acabam atropelando um ou outro pedestre.

Mas, ó, que coragem a sua de vir na cara e na coragem, gravidíssima! Muito bem, pelo visto está dando certo.

10:53 AM  
Anonymous luci said...

que legal! tou adorando ler sobre as impressoes de cada pessoa em paris. tou impresionada com a coragem da mariana hehehe eu ja me sinto uma perdida aqui estando com o marido-namorado do lado, se eu tivesse gravida, seria me descabelando!

5:33 AM  
Blogger Amanda said...

Que emovente! Muito legal sua experiência em Paris. Eh verdade que ter um bebê por aqui é bem mais pratico que no Brasil. Pelo dinheiro, pela infra-estrutura, pelas facilidades.

7:15 AM  
Blogger Tânia said...

Eu diria que prático não é bem o caso. Eu fico pensando no problema que foi até eu descobrir como as coisas funcionavam aqui: titre de sejour, assurance maladie, etc. Imagina o perrengue que deve ser descobrir isso e ainda mais creche, escola, hospital, pediatra... REalmente muita coragem a sua Mariana. Parabéns!

2:16 PM  

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